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22-julho 2009

Vai um pouquinho de ética, aí?


O colega lhe pede para fazerem um trabalho juntos, você se desdobra no projeto e no dia da apresentação ele dá um jeito de fazer parecer que fez tudo sozinho.

Sua melhor amiga escancarou seus segredos mais íntimos.
 
Seu concorrente vem tentando incansavelmente “puxar seu tapete” através dos métodos mais vergonhosos.
 
Quem não passou por situação semelhante? Não é novidade, mas acredito seriamente, que o espírito competitivo dos dias de hoje fez com que a ética fosse reduzida a ponto de parecer aquelas letrinhas minúsculas de propaganda de oferta.
 
Esse é um câncer grave. Não se limita ao ambiente profissional, nem às relações pessoais. A falta de ética está espalhada em todos os campos da nossa vida. Sofreu metástase. E o motivo é simples, a necessidade absoluta que a maioria das pessoas tem em ter mais e em ser melhor do que o outro. Ou seja, sobra EU e falta NÓS.
 
Como a etiqueta nada mais é do que a ética do cotidiano, por isso, cabe a cada um de nós pensar e responder à seguinte pergunta diariamente: “Como devo agir com os outros?”
 
As aparências enganam
Aposto que você conhece alguém que vive numa dureza, mas ostenta um carro do ano, certo? A pessoa mora mal, paga as contas com dificuldade, mas não abre mão de passar uma imagem de sucesso.
Não me esqueço de uma foto da Angelina Jolie na première do filme, ‘A Mighty Heart’ na qual usou um vestido elegantérrimo pelo qual pagou US$ 26 (cerca de R$ 50) num brechó, segundo a imprensa norte-americana. Não há dinheiro que compre bom senso e atitude. Aliás, esta última é que nos faz acreditar que Jolie só usa roupas caras.
Portanto, não se engane com que exibe grife demais ou narra as milhares de viagens internacionais que fez. Até hoje as pessoas mais ricas (financeiramente) que conheci são de uma simplicidade absurda. E as mais ricas de verdade sequer tinham uma boa conta no banco.
 
“De perto ninguém é normal”
Caetano Veloso, um grande filósofo a bem da verdade, já dizia isso. Esqueça essa história de que a grama do vizinho é mais verde. Em qualquer família existe uma pessoa problemática, alguém doente, outro perdido. Aquela família perfeita só existe em comercial de margarina. Afinal de contas é muito fácil ser feliz em 30 segundos.
No dia-a-dia todo mundo enfrenta problema no dente, briga com um filho, pneu de carro furado. Ou você acha que a Lei de Murphy só atinge você?
 
A vida não tem podium
 
Hoje em dia tudo virou competição. Entretanto, sem a lealdade esportiva. Não adianta correr demais, nem passar por todas as outras pessoas como se fossem meros obstáculos. No final das contas não há medalha de ouro, nem de prata e muito menos de bronze. Você não ganha uma estrela porque teve o melhor cargo na sua empresa. Pode talvez engordar a conta bancária, o que não necessariamente significará maior realização pessoal. Chegar em quinto lugar, mas descansar a cabeça no travesseiro e dormir o “sono do justo”, não tem preço.
 
É com você
Quando um mendigo aborda alguém na rua, especialmente se for doente ou tiver uma imagem ameaçadora, a tendência é ignorarmos ou sentirmos uma grande repulsa. O que pouca gente sabe é que a maioria dessas pessoas tem histórias incríveis ou trágicas que explicam como chegaram ali. Talvez você até tenha cruzado com uma no trabalho antes que o mundo ruísse para elas. Portanto, ajudar essas pessoas é responsabilidade do governo, mas é sua também. Pare de reclamar da criminalidade, da violência e faça algo concreto.
 
Uma verdade inconveniente
Mentir é algo tão comum hoje em dia que parece impossível evitar. Numa matéria publicada pela Veja, a psicóloga Mary Ann Mason disse: “Se nunca pudéssemos mentir... a convivência humana seria impossível em casa, no trabalho, em sociedade”. A mesma reportagem trouxe um estudo que garante que a gente lê ou ouve uma inverdade a cada cinco minutos.  Ou seja, estamos rodeados de mentiras por todos os lados. Será que isso é ético? Não seria mais leve falar somente a verdade? Não é o caso de ser o “super sincero” e sair por ai magoando as pessoas. Mas, quando confrontado, que tal escolher a verdade como resposta?
 
 
Claro que todos temos a necessidade de evoluir. Como bem dizia Darwin “só os mais fortes sobrevivem”. O problema é que isso deixou de ser uma face da natureza humana para se tornar pura ambição humana. Então, que tal parar um pouco e aceitar o nosso mundo de imperfeições? Que tal abrir mão do excesso de competição e usar mais a compreensão e a empatia para tornar a vida um pouco mais leve? O mundo será um lugar melhor para você e para mim.

 





Sobre o colunista


Janaína DepinéJanaína Depiné
Janaína Depiné é jornalista, mestre e especialista em comunicação. Atualmente é diretora da Lead Comunicação, empresa de consultoria em comunicação, com foco principal em assessoria de imprensa, há 11 anos no mercado.


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