17-agosto 2009
A etiqueta vai às compras
“Dinheiro na mão é vendaval” entoava Paulinho da Viola. Mas, a bem da verdade, dinheiro na mão é sinal de compra, muitas compras.
Em dias tão consumistas, quem tem gasta, quem não tem parcela. Mas, passar da conta seria assunto para uma coluna de economia, talvez. Sob os olhos da etiqueta, o que interessa mesmo é como as pessoas se comportam na hora das compras. E aí, pode ter certeza, tem muita gente devendo no quesito boa educação.
Supermercado não é play
Definitivamente, lugar de criança não é no supermercado. Primeiro porque elas tendem a mostrar todo o poder da propaganda e pedir - como se fosse uma questão de vida ou morte – aquele salgadinho que parece isopor só porque vem com uma figurinha mequetrefe do personagem favorito delas. Haja psicologia infantil e muito espírito de “noviça rebelde” para conter o ímpeto desses pequenos compradores.
Em segundo lugar, porque as crianças querem mesmo é se divertir. Para isso, vão transformar os corredores em pistas de corrida, fazer test-drive nas bolas e brincar de pique esconde por entre as gôndolas. Sendo assim, se não tiver com quem deixá-las, pelo menos opte pelo super com espaço infantil. Isso já ajuda muito e poupa você de ter que abandonar o método Piaget e assumir o Pinochet, para controlar os filhotes.
Cara feia é fome
Essa é quase um axioma moderno “caixa de supermercado é mal humorada”. Nada pessoal, não ligue. Não sei se o salário é que é ruim ou se o trabalho cansa demais. (Acredito mais na última hipótese. Afinal, a gente não gosta de ir uma hora por semana, o que dirá ficar lá oito horas todo santo dia). O fato é que não espere um tratamento de primeira, salva as raras exceções. Em vez de se irritar, relaxe ou coloque um MP3 no ouvido e fique feliz.
O direito de pechinchar
Compra bem feita é aquela planejada. Pedir desconto, não é deselegante e, sim, inteligente. Dê valor ao seu dinheiro e pechinche, sem dó nem piedade. Todo o comércio tem uma gordurinha para queimar no preço. Sendo assim, pesquise bem antes de sair “arrastando o sári pelo mercado”. Alguns supermercados e redes de eletroeletrônicos cobrem a diferença de preço entre o mesmo produto. Aproveite e compare os encartes promocionais, pesquise pela Internet e bata perna.
Na contramão
Por que ir ao mercado nos horários de pico? Se você quer paz e tranqüilidade, vá na contramão das pessoas. Que tal encarar o supermercado domingo de manhã ou de madrugada? E o centro às 9h? Horários mais vazios não deixam você enlouquecer e podem até se tornar um programa divertido.
Caixa preferencial ou exclusivo?
Vamos por um ponto final nesta questão. Caixa preferencial para gestantes, idosos e portadores de alguma deficiência serve para esse público, mas também para os outros quando estiver vazio. Ou seja, como o próprio nome diz, essas pessoas têm a preferência. Mas tudo muda se o caixa for “exclusivo”. Nesse caso, somente gestantes, idosos e portadores de alguma deficiência podem utilizá-lo, mesmo que esteja vazio, certo? Na dúvida, leia o Aurélio.
Sabe contar?
É isso que você deve perguntar para o “espertinho” que leva 15 produtos na caixa de “Somente 10 itens”. Obedeça rigorosamente essa regra e evite constrangimentos. Se vir alguém querendo burlar a regra, fale com o gerente. É questão de cidadania.
Salvem os empacotadores
Estou pensando seriamente em criar uma campanha para combater a extinção dos empacotadores. De fato, essa é uma função que deixou saudade. Pense bem. Se não existe empacotador, quem faz o serviço? Você, evidentemente, sob o olhar critico do próximo cliente: “não vai empacotar mais rápido?", ou o próprio caixa que, na maioria das vezes, fará isso enquanto passa as mercadorias pelo leitor de código de barras e recebe os pagamentos, resultando numa lentidão sem fim. E pior: com aquela cara de quem está lhe fazendo um favor. Por isso, prefiro os mercados que ainda mantém a agradável figura do empacotador. E se ele ainda levar no carro, não largo mais.
Ao chato com carinho
Se tem lugar que encontramos conhecidos é o supermercado. Mas, nada pior do que encontrar “o chato” na hora das compras, especialmente se seu tempo está contado. Dá vontade de se disfarçar de extrato de tomate. Por isso, ao encontrar um amigo lembre-se de ser gentil, mas breve. Longas conversas merecem um ambiente mais apropriado.
O perigo mora no carrinho ao lado
Quem nunca foi alvo de um carrinho desgovernado? A verdade é que supermercado devia exigir habilitação, merecia placa de trânsito e até guardinha para aplicar umas multas. Tem gente que sai empurrando o dito cujo como se não houvesse amanhã ou deixa as crianças sozinhas nas cadeirinhas. Dá até arrepio. Por isso, assim como nas ruas, dirija com cuidado.
Degustação indigesta
Cafezinho, patê, torrada, macarrão instantâneo e iogurte. O que não falta são as degustações no ponto de venda. Tem gente que se anima e sai experimentando tudo o que vê pela frente. Calma! A degustação é uma estratégia para estimular as vendas. Portanto, se você nem cogita levar o produto, vai provar para quê?
Sair pelo supermercado abrindo pacotes de bolacha, também não deve. Exceção às crianças, pois às vezes só um biscoitinho para sossegar certos rebentos.
Caixa rápido...Pero no mucho
Toda vez que eu entro na fila de um caixa rápido, especialmente de um hipermercado, eu tenho ligeira sensação de que estou no desenho do Coiote e do Papa-Léguas, da Hanna Barbera. E pior, depois de enfrentar uma enorme fila única que atrapalha todo mundo, eu tenho a certeza de que eu sou o Coiote e que estou levando produtos ACME para casa. Sem dúvida, esse é mais um mistério a ser desvendado pelo Padre Quevedo caixa rápido “no ecxiste”. Aliás, caixa e rápido são palavras que nunca deveriam aparecer numa mesma frase.
Boas compras e boa sorte!
Sobre o colunista
Janaína Depiné
Janaína Depiné é jornalista, mestre e especialista em comunicação. Atualmente é diretora da Lead Comunicação, empresa de consultoria em comunicação, com foco principal em assessoria de imprensa, há 11 anos no mercado.